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domingo, 10 de outubro de 2010

Palavras do Norte de Minas

Olá amigos!
Pelos caminhos que tomamos nessa vida conhecemos muita terra boa, habitada por gente igualmente boa.

"Vem nascendo um novo dia.
Com alegria eu quero ver
o amor em cada coração renascer
Eu quero ver,
Eu quero ver.."

É com esses versos que começa a carta que recebi do amigo que fiz na Agriminas deste ano.
As palavras são de Geraldo Gomes, agricultor dedicado de Porteirinha no norte de Minas, guardião da biodiversidade e da cultura popular.
Além de tudo o Geraldo tem uma coleção de sementes crioulas (O que são sementes crioulas ?) com mais de 200 variedades, sendo elas 46 só de feijão e 17 de milho. Nada de semente híbrida, transgênica. Aliás, tudo na roça dele, que tem mais de 25 anos, é feito sem aplicação de agrotóxico. Ele faz o plantia consorciado e experimenta muito para conseguir controlar os insetos e as ervas daninhas. Ele também dá preferência as plantas nativas, já adaptadas: umbú, siriguela, amora, pitanga, cajá, tamarindo.. E aproveita as flores dos cultivares criando também abelhas que lhe fornecem mel, cera e própolis. Sucesso garantido!




Muito bom receber experiências agroecológicas dos mais diferentes lugares desse Brasilsão. Queria aqui agradecer ao amigo por ter me mandado os boletins do Programa Uma Terra e Duas Águas, Material do Sindicato Rural de Porteirinha, Revista da Articulação no Semiárido Brasileiro, Jornal do Milho, Conjuntura da Terra, DVD da Articulação Nacional de Agroecologia  e outros. Quem quiser o material basta deixar um comentário aqui!

Quem também quiser ser mais um elo dessa corrente, envie seu material ou me escreva contando sua experiência na Agroecologia, fique a vontade:
Jéssica Danuza Gonçalves Cruz
Av. Universo n°494 Copacabana - Belo Horizonte, MG
Cep: 31.540-550
ou EMAIL

"Sertão, sabe o senhor. Sertão é onde o 
pensamento da gente se forma mais forte que o poder do lugar."
Guimarães Rosa

domingo, 19 de setembro de 2010

Os orgânicos invadem as prateleiras

O mercado de produtos orgânicos é hoje constituído pelo "novo 
 consumidor": consciente das questões de caráter ambiental e social e principalmente ligadas à saúde.
E é por isso que hoje a agricultura orgânica ganha cada vez mais espaço na economia mundial. O segmento de produtos orgânicos tem crescido cerca de 20% ao ano, tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento (UNCTAD, 2003) e é o segmento que mais cresce dentro do setor de alimentos.
Vamos dar hoje um enfoque maior para o CAFÉ.
O consumo de cafés especiais, como o café orgânico, gourmet, sombreados e socialmente justos, também está aumentando. Os preços destes cafés no mercado nacional e internacional são mais atraentes para os produtores, como conseqüência de suas características de produção, a qualidade superior e a ainda baixa competição no mercado. (Veja quadro de exportações a seguir)
O pensamento agroecológico vai desde a escolha da espécie, já que isso implica a adaptabilidade do cultivo. Para climas tropicais de altitude como o que temos aqui no sudeste, o café arábica é o mais indicado. Já o Conilon ou café robusta é propício ao clima equatorial baixo, úmido e quente como temos no norte do país. As outras mudanças são em relação aos tratos culturais.
Os esquemas abaixo exemplificam as etapas de pré colheita:



Pode-se acrescentar ai também a compostagem, processo do qual falerei depois, juntamente com o controle alternativo de pragas e a certificação de orgânicos.

É bom destacar que Minas Gerais possui o maior pólo de cafeicultura orgânica do país, na cidade de Machado no sul do estado, consolidada inclusive com uma Feira anual Internacional de Café Orgâncico e curso de especialização (Latus Sensu) no assunto.

O café orgânico foi vendido na Agriminas deste ano no valor de 10 reais o pacote com 500gr.

Quer saber mais ? Click aqui para visitar o site da EMBRAPA.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Da Agricultura Familiar & as Políticas de Segurança Alimentar


Na primeira semana deste mês, os belorizontinos  provaram as delícias da roça sem sair de casa.
A 5ª Feira de Agricultura Familiar, a AgriMinas, foi uma verdadeira vitrine da pequena produção rural em Minas. É importante salientar que a agricultura familiar abastace 70% da alimentação no mercado interno.

Doces, queijos, bebidas, hortifrutigranjeiros e artesanatos das mais diversas cooperativas e associações de Minas fizeram da Serraria Souza Pinto um ponto de encontro e de divulgação dos produtos. O sucesso se deve a isso: o cooperativismo pulveriza riscos, capacita os produtores, satisfaz necessidades estruturais comuns, agrega valores ao produto, fortalece o poder de barganha e conseqüentemente melhora a situação econômica dos associados. (Para saber mais sobre cooperativismo, CLIQUE AQUI no site do SEBRAE)

Ainda na feira, os presentes puderam assistir à palestras, uma delas sobre o PNAE/Merenda Escolar e PAA/CONAB e declaração de aptidão ao PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar).
O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) consiste na compra de 30% da agricultura familiar destinando-a para o consumo na merenda escolar de todos os estudantes da educação básica. O objetivo é oferecer uma alimentação de qualidade, suprindo as necessidades nutricionais dos alunos e garantindo a permanência nas salas de aula.

Já a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), garante os recursos para que agricultores plantem e produzam. Posteriormente,
 o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) incentiva a agricultura familiar através da compra de produtos cultivados por esses agricultores familiares. Há várias modalidades como o PAA Leite nas regiões Norte e Nordeste e a Compra com Doação Simultânea que adquire produtos orgânicos com 30% a mais do preço comum. 

Não obstante, o caminho para o agronegócio mais justo ainda é longo e as conquistas só serão possíveis com uma maior força desta economia que está nas nossas mesas todos os dias